1. Substituição de Parabrisas
A substituição do parabrisas é o serviço mais frequente no setor do vidro automóvel. Em Portugal, estima-se que mais de 500.000 parabrisas sejam substituídos anualmente, sendo a maioria coberta pelo seguro de Quebra Isolada de Vidros (QIV). O processo exige técnica, materiais certificados e cumprimento rigoroso dos tempos de cura para garantir a segurança do condutor e dos passageiros.
Quando é necessário substituir?
A substituição é obrigatória quando o dano no parabrisas compromete a integridade estrutural ou a visibilidade do condutor. As situações mais comuns incluem:
- Fissuras superiores a 15 cm de comprimento, independentemente da localização.
- Impactos com diâmetro superior a 2 cm (aproximadamente o tamanho de uma moeda de 2 euros).
- Danos no campo de visão primário do condutor (zona A), onde a reparação não é permitida pela legislação portuguesa.
- Múltiplos impactos no mesmo parabrisas que, em conjunto, enfraquecem o vidro laminado.
- Delaminação — separação visível entre as camadas de vidro e PVB (polivinil butiral).
- Danos nas bordas do parabrisas, a menos de 5 cm do rebordo, que comprometem a colagem.
O Processo Completo de Substituição
A substituição de um parabrisas segue um protocolo rigoroso, normalizado pela norma europeia BS AU 242 e pelas instruções dos fabricantes de adesivos. Cada passo é essencial para a segurança do veículo.
Proteção e Preparação do Veículo
O técnico protege o painel de instrumentos, os pilares A e a pintura envolvente com coberturas específicas. Remove os componentes associados ao parabrisas: espelho retrovisor interior, sensores de chuva e luz, câmara ADAS (se aplicável), molduras exteriores e eventuais antenas integradas no vidro.
Remoção do Parabrisas Danificado
Utilizando um fio de aço ou uma faca oscilante específica, o técnico corta o cordão de poliuretano (PU) que fixa o vidro à carroçaria. Este processo requer precisão para não danificar a pintura ou a moldura do chassis. O parabrisas antigo é retirado com ventosas profissionais.
Preparação da Superfície de Colagem
O cordão antigo de PU é aparado, mantendo uma camada uniforme de cerca de 1-2 mm como base para o novo adesivo. A superfície é limpa com primer específico (normalmente à base de isocianato) tanto no chassis como no novo vidro. O primer ativa a adesão química entre o PU e os substratos.
Aplicação do Adesivo de Poliuretano
Um cordão contínuo e uniforme de adesivo PU é aplicado na periferia do novo vidro (ou na moldura do chassis, conforme o método). Os adesivos modernos, como o Sika Tack Drive ou o Dow Betaseal, oferecem tempos de cura otimizados e resistência superior. O cordão tem tipicamente uma forma triangular com 10-15 mm de altura.
Posicionamento e Fixação do Novo Vidro
O novo parabrisas é posicionado com auxílio de ventosas e alinhado com precisão nas marcações do chassis. Após o assentamento, são recolocadas as molduras, clips de fixação e elementos decorativos. O veículo não deve ser movido durante os primeiros minutos para permitir o assentamento inicial do adesivo.
Tempo de Cura e Safe Drive-Away Time (SDAT)
O Safe Drive-Away Time (SDAT) é o período mínimo de cura antes de o veículo poder ser conduzido em segurança. Com os adesivos atuais de alta performance, o SDAT típico é de aproximadamente 1 hora em condições normais (temperatura entre 15-25 °C, humidade relativa acima de 40%). Em temperaturas baixas ou humidade reduzida, o tempo pode aumentar para 2-4 horas. A cura completa do PU demora tipicamente 24 a 72 horas.
Reinstalação de Componentes e Calibração
Sensores, câmara ADAS, espelho retrovisor e antenas são reinstalados. Se o veículo dispuser de sistemas ADAS com câmara no parabrisas, é obrigatória a calibração dos sistemas. O técnico realiza uma inspeção final e um teste de estanquicidade com água.
Materiais importam: Os parabrisas OEM (original do fabricante) garantem o ajuste perfeito e todas as funcionalidades originais. Os vidros aftermarket de qualidade (marcas como Pilkington, Saint-Gobain Sekurit, AGC ou Fuyao) são alternativas fiáveis e homologadas. Todos devem apresentar a marcação ECE (E-mark) obrigatória na União Europeia.